015

Hoje tive a sorte, melhor dizendo, oportunidade, de conversar com um velho amigo.
Conversando com ele, a boa surpresa e assunto de quase toda conversa acabou sendo sobre as novidades. Assunto estranhamente conveniente pra falar com um velho amigo.
Sendo um velho amigo, é lógico deduzir que ele me conhece através de quem fui, do meu passado, das coisas que vivi. Sendo o amigo que é, sabe também que pouco me importo sobre o que já vivi, na verdade, tomei certo vício por me importar muito pouco.
Sempre tive uma estranha compulsão e ter um certo asco pela minha memória: Sempre lembrando do que quero esquecer, e esquecendo do que eu precisava lembrar. Por isso lutava para esquecer, nem que esse esforço fosse meramente político - Declarar ao passado que eu o quero longe.
Dentre as novidades, a maior delas era bem explícita: eu estou bem. Bem como a tempos sequer me lembraria de um dia estar. Bem pela companhia que agora tenho, bem pela vida que parece estar pegando bem leve comigo nesses dias, bem porque tenho investido mais tempo em ser grato pelo que tenho, bem porque posso estar calmo.
Contudo isso também pouco importava. Não como meu passado por já ter passado, mas por estar óbvio o suficiente pra estar estampado na minha cara.
Então o assunto se tornou turvo: Então o que mudou?
Fui eu quem mudou? Aprendendo a me tornar alguém menos asqueroso?
Foi minha vida que mudou? Por sorte ou esforço, ou até mesmo por costume?
Foram os amigos que mudaram? Bem, isso definitivamente não muda muito, quase nunca tive muitos amigos, e ainda assim dentre os poucos que tenho, não são os mesmos do passado.
Fui posto contra a parede - O peso Eduardo. O Peso mudou.
Era óbvio, o peso havia mudado, estranhamente algo estava todos os dias gritando aos meus ouvidos e eu, desatento como sempre, errava em não ouvir.
Aprendi com as amizades, com minha família, e principalmente com meus supostos amores que a gente se vicia, sobretudo, a ter medo. Que os acertos estranhamente parecem recheados de uma liberdade inexorável - É assim que eles são, livres. Mas que cada erro é brutalmente grudento, pegajoso, e se prende a você. Ele vai te pesar, e você vai se acostumar a carrega-los, pior do que isso - Senti-los o tempo inteiro.
Antes que eu fosse acometido pelo peso da palavra, fui corrigido: Não eram erros, ao menos não meus, com certeza não apenas meus. Mas roubei quase todos os pesos que surgiram pra mim. Me culpava pelas discussões que haviam terminado mal. Me culpava pela má sorte. Me culpava mais do que qualquer outra coisa pelo fracasso, principalmente quando não era meu. Me culpava aterradoramente pela desistência, em especial quando desistiam de mim.
Novamente fui interrompido: Percebe agora? Não eram brigas, era um massacre, você se viciou em se ver como menor, pior, mais fraco, mais tolo, mais feio. Você se apaixonou pela equação mais óbvia possível: Se tudo acabava sempre, era erro seu, você era destinado ao fracasso. O problema estava em tentar forte demais. Devia parar de tentar. Devia tentar parar de sonhar. Mas não conseguia.
E isso foi me matando, tantas vezes, até ao ponto que brincava com a literalidade da tragédia se declarando sobre minha vida.
Fui interrompido uma última vez.
E nada mais precisava ser dito. Parecia ridículo, patético de tão óbvio. Eu estava errado, errado o suficiente para aquilo doer.
Por anos simplesmente aprendi tudo errado. Aprendi a mendigar a feto, a juntar migalhas, a lamber feridas alheias - que sequer sangravam. Deu um preço barato demais para minha carne e estava a me descartar por sentir que, agora podre, nada mais valia.
Mas vale, nem que seja o suficiente pra me tornar de verdade. Não para alguém, que idiotice, toda essa ladainha de "antes plantar as flores e cuidar do jardim para que os pássaros venham". Não tem porra de pássaro algum, nem jardim, é só a vida, e ela já é difícil o suficiente por si só. É questão de ao que você se apega, e a qual vida quer ter. Eu abri mão de uma vida de migalhas, hoje só quero poder viver, se possível, viver um amor de verdade, porque assim eu posso viver pra sempre.
Que ironia. Isso já estava acontecendo o tempo todo, e eu só me apaixonei pelos meus próprios erros. Não mais.
Me despedi, até porque não parecia mais tão difícil assim. Meu velho amigo era eu, louco, cheio de feridas por carregar tudo aquilo que eu já não mais preciso.
Parece tolo deixar isso aqui, mas w/e, foi meu "diário" de hoje, reli algumas vezes e ainda me sinto tonto. O que me motivou a escrever não foi nada além da sensação absurda de felicidade que senti hoje de manhã ao ver minha namorada (se tudo der certo, futura esposa) que tem me acompanhado todos os dias e me dado uma surra intelectual, de como ser feliz na vida, e eu provavelmente vou ser grato por isso provavelmente pelo resto da minha vida.

014

I miss you much each split second;
when you're not between my arms.

Have to admit that you're living;
in my every thought, on each smile.

You're my greater luck; my sweetest feeling;
every bit of you it's all i desire.

Now im living a dream, of your soft touch
your belly button; the flesh of your hips

On top of my world: your sharp teeth;
to eat me alive; and turn me yours.

At the end i've realized: nostalgia is silly
making me want your bites through all my life.

013

Brincando me escondo das vontades que tenho;
Com surpresa descubro: Já devia ter feito,
Inquieto reconheço: te quero por perto!
Nem que seja para me acostumar que você existe.

Tento formar em minha cabeça a sua lembrança;
Desenhando aos poucos um corpo que não conheço.
Sinto na ponta dos dedos seu rosto que aos poucos se forma.
Ostentando uma boca que certamente desejo.

É estranho - em palavras me contenho para ser educado.
Mas em meus pensamentos do teu rosto transbordo;
Descendo com beijos ao seu pescoço exposto,
Para poder provar seu calor por inteiro.

Não conheço seu cheiro, tampouco seus limites,
Nem suas vontades, muito menos seus sonhos.
Não entendo minha sorte de cair no seu gosto.
Mas aguardo ansioso aprender seu sorriso.

012

One day i found a girl with tears on her face.
Full of remorse and hatred; hungry for revenge,
I asked her who had hurt him, promising to help,
She answered "myself." Making me swallow hard.

I apologize, didn't know had understood or could help
She complained "but you promised!"
Desperate, I asked her where it hurts most, that a kiss could relieve.
With wild eyes, she moaned "everywhere".

011

Meus dois centavos sobre ser "lesado".

Não, não é nobre esconder o fato. É fraqueza, é desonesto, é quase digno de ojeriza. Também não é missão alguma deixar claro a todos sobre seus problemas, tal como ninguém precisa ver qualquer "handicap" como limitação.

É como ter uma pinta, é como não ter uma perna. É algo que não tem tamanho definido mas tá ali, contigo, e nem sempre é físico.

É como seu nome, ou como onde mora. Contra sua vontade já fez sua marca. Ao passar da sua vida você simplesmente cresce, com aquela coisa tendo te influenciado positivamente ou negativamente, na grande maioria das vezes ambos.

No fim das contas é uma massa amorfa incômoda ali, presente, te pressionando pra algum canto, ou te incomodando o suficiente para as vezes não ter posição confortável. Sabe como é? Bem, crianças costumam não saber.

Nisso não aprendem a escrever direito. Não descobrem a diferença de um V e um F até a quarta série. Se formam no ensino médio sem saber uma fórmula de física, e recebe nota baixa toda vez que deixa escrito uma fórmula ao contrário que foi o único jeito de tu deduzir aquilo.

Te deixa distante dos amigos quando tu não se interessa por ter namoradas. Te deixa distante da sua família quando você não consegue dizer porque não consegue abraçar alguém. Te deixa distante de ser uma pessoa "menos esquisita" porque você acaba ou sendo lento demais ou rápido demais dependendo da situação.

Não te deixa interessante por não estar nas festas. Não te deixa experiente porque você tem medo de entrar no espaço dos outros. Não te faz conseguir pegar seu dinheiro e gastar em algo porque você tem medo de fazer algo errado e depois precisar.

Você aprende no fim das contas a ter medo de quase tudo, e ao mesmo tempo, a prestar atenção obsessiveness em tudo, absolutamente tudo, porque alguma coisa pode ser importante, e se for importante, você vai ter que fingir ser qualquer coisa: menos você. E agir como decorou que deve agir.

E a mentir.

Porque no fim das contas as pessoas preferem não perder tempo com todo esse rodeio, com textos longos e com vidas inteiras cheias de perda de tempo com coisas banais que qualquer um tirou de letra só por ter nascido direito.

Alguns nascem meio tortos. O que não faz se tornar algo direito mentir.

Dai a gente cresce. Mais ou menos esperto. E descobre que virou um bixo estranho. E vai envelhecendo, perdendo a fé de que fez algo direito.

No fim das contas: Importa?

Pra ninguém importa. Principalmente se você não falar. E mesmo que fale, vai importar por pouco tempo. Pra você, importou a vida inteira, e é quase tudo que você tem.